 |
|
|
|
|
|
TERRA DO SOL, TERRA DA LUZ
Com praia, parque aquático, forró e micareta, a cidade é uma festa
O nome fortaleza sugere a ideia de um lugar construído para repelir invasores. No caso da palavra que batizou a capital cearense, hoje em dia nada poderia ser mais falso. Quinta maior metrópole do Brasil, e segunda do Nordeste, Fortaleza é uma cidade aberta, com 2,4 milhões de habitantes e que recebe todos os anos número quase igual de turistas. Em 2004, chegou a ser o destino mais visitado do País, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens. Eventos como o Fortal, megamicareta que acontece sempre em julho, e o Ceará Music, festival com estrelas do pop-rock brasileiro e internacional, em outubro, atraem multidões de jovens e confirmam a face alegre, receptiva e festeira da cidade.
Mas Fortaleza não é só folia: é também história. Prestes a comemorar seu primeiro centenário, o Theatro José de Alencar, um dos mais belos e ecléticos do Brasil, resgata no seu nome a lembrança do maior expoente do Romantismo brasileiro, escola literária dominante pela maior parte do século XIX. José Martiniano de Alencar, celebrizado como José de Alencar, nasceu no ano de 1829 em Messejana, à época um município vizinho de Fortaleza – hoje, um bairro incorporado à capital. Seu pai era senador, e a família se mudou para o Rio de Janeiro quando ele ainda era menino. Na capital do Império, atuou como jornalista e advogado até alcançar a fama com o romance O Guarani, em 1857, quando não tinha ainda 30 anos. Com a narrativa do amor de Peri e Ceci (ele, índio; ela, branca, filha de portugueses), a obra inaugurou o projeto de uma literatura genuinamente brasileira, questionando os efeitos da colonização e afirmando uma identidade nacional. A repercussão levaria, mais tarde ,a história a ser adaptada para ópera pelo maestro Carlo Gomes – um sucesso estrondoso desde a sua estreia, em 1870, no Teatro Scala, de Milão.
Em 1865, Alencar publicou um novo romance protagonizado por um indígena – dessa vez, uma mulher: Iracema. A obra é uma epopeia sobre as origens do Ceará. A personagem-título, a “virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna”, se apaixona por um português, Martim – inspirado em na figura histórica de Martim Soares Moreno, um dos primeiros colonizadores da província cearense, onde chegou por volta de 1612. Com uma prosa profusa, poética, José de Alencar expõe paixões e paisagens sob o filtro de uma luz idílica. As palavras de abertura do livro são um canto de amor ao Ceará: “Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros”. O impacto da obra persiste ainda hoje na forma de um punhado de estátuas de Iracema espalhadas por Fortaleza, e no nome de um dos principais bairros (e praias) da cidade.
Apenas dez anos depois do ilustre José de Alencar, nascia, em Canoa Quebrada, no distrito de Aracati, distante 150 quilômetros da capital, Francisco José do Nascimento.
Seu pai, Manoel, era pescador; a mãe, Matilde, rendeira. Francisco, ou Chico da Matilde, como era conhecido, ficou órfão de pai aos 8 anos, e só foi aprender a ler depois dos 20. Foi pescador, catraiero (condutor de jangadas e botes), trabalhou na construção do primeiro porto de Fortaleza – ali, na foz do riacho Pajeú, onde hoje fica Iracema – e, em 1874, tornou-se prático da Capitania dos Portos.A partir de 1877, o Ceará enfrentava uma de suas grandes secas, desarticulando a economia e forçando fazendeiros a vender seus escravos para proprietários do Sudeste. Os negros deveriam ser transportados de jangada até os navios, mas Chico – ele próprio, pardo – deflagrou uma greve entre os jangadeiros, recusando-se a embarcar os escravos. O ato de rebeldia, em janeiro de 1881, levaria à sua exoneração.
Três anos mais tarde, porém, o Ceará se tornava a primeira província do Brasil a pôr fim à escravidão (quatro anos antes da Lei Áurea), levando o abolicionista José do Patrocínio a saudá-la como “Terra da Luz”. Reconduzido ao cargo por ordem do próprio imperador Dom Pedro II, Chico da Matilde recebeu tratamento de celebridade. Viajou de navio ao Rio de Janeiro, carregando a bordo sua jangada (adequadamente batizada de“Liberdade”, e, mais tarde, doada ao Museu Nacional). Na capital, desfilou pelas ruas, recebendo flores e festejos da multidão – e, por sua coragem, ganhou um novo apelido quase mitológico: Dragão do Mar.
Passados mais de cem anos, as velas triangulares das jangadas ainda recortam o horizonte de Fortaleza, e o nome do legendário jangadeiro ressoa em Iracema, que, desde 1999, acolhe o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Equipado com museus, cinemas, teatros e um planetário, o espaço se tornou a força propulsora da agenda cultural fortalezense.
A alcunha de Terra da Luz caiu tanto no gosto dos cearenses que foi incorporada, com orgulho, logo no primeiro verso do hino do estado, criado no começo do século XX para celebrar os 300 anos do início de sua ocupação: “Terra do sol, do amor, terra da luz!”. O sol, que parece brilhar o ano inteiro, é o maior trunfo turístico da cidade. A rede hoteleira se concentra nos bairros à beira-mar, sobretudo Iracema, Meireles e Mucuripe, com os melhores hotéis perfilados ao longo da avenida que margeia a costa. A melhor praia de Fortaleza, entretanto, fica a 8 quilômetros do centro: a praia do Futuro tem águas limpas (ao contrário das outras, onde o banho não é recomendado) e uma sequência infindável de barracas, uma para cada perfil de público e todas – sem exceção – servindo o prato mais famoso da culinária local: o caranguejo. Descendo um pouco mais pelo litoral, em Porto das Dunas, a cerca de 15 quilômetros, fica o Beach Park, complexo turístico com resort e o maior parque aquático da América Latina, que recebe todos os anos uma média de 700 mil visitantes.
Mas quando o Sol se põe, a diversão continua. Fortaleza e forró dividem a primeira sílaba, e não é à toa. Várias casas noturnas colocam o povo para dançar, a mais célebre delas sendo o Pirata Bar, que se auto-proclama o palco da “segunda-feira mais louca do mundo” (deu até no The New York Times!). Outro programa clássico, que sintetiza a irreverência fortalezense, é assistir a um dos muitos shows de humor em cartaz, em restaurantes e choperias da cidade. Com piadas e provocações cheias de escracho, que não poupam nem a plateia, artistas como Rossicléa, Skolástica, Lailtinho Brega e Zé Modesto são fenômenos de público fazendo rir às gargalhadas, e levando adiante uma longa linhagem de humoristas cearenses, que inclui Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante – todos nascidos no estado. Marca registrada de Fortaleza, os espetáculos humorísticos garantem à cidade o merecido título de Capital do Riso.
No que se refere à acessibilidade, esperança é a palavra que entrou para vocabulário local. Em 2008, a prefeitura abriu um cadastro para garantir gratuidade nas passagens de ônibus a passageiros com deficiência. Foi feito também o anúncio de que a frota será renovada, de Fortaleza está melhorando. Agora é preciso melhorar a circulação das calçadas da cidade até 2010, com 200 novos veículos, articulados, que permitirão o embarque em nível, sem degraus – os pontos de parada, diz-se, serão adaptados baseados no conceito de acesso universal. Outra promessa é a padronização das calçadas, que ganharão rampas de acesso. O prazo, anunciado em abril de 2008, para a conclusão das obras é de três anos.
|
|
Beach Park
Em Porto das Dunas, a 20 quilômetros da capital (partindo do Shopping Iguatemi), o Beach Park é a Disney cearense: um megacomplexo turístico que reúne resort, restaurante, barraca de praia e o Aqua Park, o maior parque aquático da América Latina, com 35 mil metros quadrados. Divididas em categorias (radicais, moderadas e para a família), as atrações incluem rio artificial, piscinas com ondas, toboáguas – entre eles, o Insano, o mais alto do mundo, com 41 metros de altura – e 18 ambientes temáticos, como Ilha do Tesouro e Arca de Noé. Os salvavidas e funcionários são treinados para receber o público com deficiência e instruídos para orientar na utilização segura dos brinquedos. Por medida de segurança, vários deles não podem ser usados por pessoas com deficiência física e com síndrome de Down. O Aqua Park dispõe de sanitários com cabines adaptadas e cadeiras de rodas para aluguel. O restaurante comporta 1.200 pessoas e tem acesso por caminho calçado com mosaicos de vidro. 2ª, 3ª, e 6ª a domingo, 11h às 17h (diariamente, em janeiro, julho e dezembro; o horário é sujeito a muitas alterações, confira a programação no site www.beachpark.com.br). Pessoas com deficiência física ou com síndrome de Down têm 80% de desconto. Pessoas com mais de 60 anos têm 50% de desconto. Crianças de até 1 metro de altura não pagam. R. Porto das Dunas, 2.734, município de Aquiraz. Telefone: (85) 4012-3000.
Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel
O acervo de 100 mil volumes está disponível para consulta e empréstimo na mais antiga instituição cultural do Ceará, fundada em 1867. Com área de 2 mil metros quadrados, integrada ao complexo Dragão do Mar (são 5 pavimentos, acessados por elevador), reúne a quarta maior coleção de livros raros do País. A biblioteca é, ainda, o principal centro de produção e distribuição de obras em Braille no estado, onde se realiza o trabalho de transcrição de textos, dando assistência aos interessados. Conta com acervo especializado de 2.500 volumes, composto por livros em Braille, falados e digitais, disponíveis para consulta local e retirada, como empréstimo domiciliar. Para fazer a carteirinha (e poder pegar livros emprestados), é preciso 2 fotos 3x4, comprovante de residência, xerox de RG e CPF, além do pagamento de uma taxa. No térreo, existe um banheiro adaptado para pessoas com deficiência. Av. 2ª a 6ª, 8h às 21h; sábado e domingo, 14h às 18h. Entrada gratuita. Av. Presidente Castelo Branco, 255, Centro. Telefone: (85) 3101-2546.
Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro
Exemplar dos cinemas de rua, o imponente Cine São Luiz continua sendo a maior sala da capital cearense, comportando até 1.500 pessoas. A construção data de 1939, mas, depois disso, ainda levaria quase 20 anos para ser inaugurada – tempo consumido nos detalhes minuciosos de sua decoração. A beleza do prédio, tombado pelo patrimônio histórico estadual, se reflete no hall, com piso e escadarias em mármore de Carrara (Itália), no teto ornamentado e nos três grandes lustres de cristal da antiga Tchecoslováquia. A sala chegou a estar ameaçada de fechamento, mas acabou arrendada pela Federação do Comércio do Ceará, que a rebatizou como Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro. Ainda hoje, exibe sessões diariamente, além de ser palco do Cine Ceará, maior festival de cinema do estado, e de apresentações de música. Apesar da falta de adaptação para pessoas com deficiência, visitar o espaço, no coração da capital, é um belo programa – aproveite e prove, na praça do Ferreira, o famoso pastel com caldo de cana. Rua 2ª a domingo, a partir das 12h (os horários das sessões de cinema variam). R. Major Facundo, 500, Praça do Ferreira, Centro. Telefone: (85) 3253-3332.
Centro de Turismo
Antiga cadeia pública do Ceará, o prédio de linhas neoclássicas, de meados do século XIX, abriga, hoje, o Centro de Turismo. Rendas, bilros e produtos típicos ocupam o espaço onde ficavam as celas. É uma opção mais tranquila para fazer compras – em comparação ao Mercado Central –, com menos lojas (pouco mais de 100) e toda plana, em andar térreo, com três alas. Pelos corredores, além das rendas, é possível encontrar peças em couro, palha, metal e madeira, além de doces e bebidas. Alguns artesãos demonstram seu ofício ao vivo, para admiração dos visitantes. O prédio tem, ainda, uma galeria, um teatro e dois museus (com peças como jangada, tear, carro-de-boi, e uma estátua do padre Cícero, ou Padim Ciço, figura central da religiosidade cearense). O governo do estado anuncia, para breve, a recuperação do Centro de Turismo, que deverá ganhar banheiros adaptados. 2ª a sábado, 8h às 18h; domingo, 8h às 12h. R. Senador Pompeu, 350, Centro. Telefone: (85) 3212-4586.
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Entre a região central de Fortaleza e a praia de Iracema, com projeto arrojado da dupla de arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo, o Centro Cultural Dragão do Mar, um dos mais relevantes da América Latina, completa, em 2009, sua primeira década de vida. O nome é uma homenagem ao célebre jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, herói do movimento abolicionista cearense. Com 30 mil metros quadrados, o espaço reúne dois museus – um deles, de arte contemporânea, e outro, dedicado à cultura do Ceará –, duas salas de cinema, teatro, anfi teatro, auditório e
planetário. O acesso ao Centro Cultural é feito por quatro grandes rampas. Há elevador panorâmico, banheiros adaptados, cadeiras de rodas para empréstimo, programação mensal impressa em Braille e estacionamento, com duas vagas reservadas para pessoas com defi ciência (o site www.dragaodomar.org.br dá mais detalhes sobre a acessibilidade do local). No Memorial da Cultura Cearense, as exposições são compostas por objetos
que favorecem a percepção através dos sentidos; há monitores treinados para receber
o público com defi ciência (inclusive um monitor cego), e os textos estão em Braille. Ao todo, o Dragão do Mar oferece cerca de 120 atrações por mês. Para depois da visita, no entorno, uma série de bares mantém burburinho constante. 3ª a 5ª, 9h às 18h30; 6ª a domingo, 14h às 20h30 (visitas guiadas nos museus, de 3ª a domingo, 9h às 11h e 14h às
17h). R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema. Telefone: (85) 3488-8600.
Mercado Central
Cachaças e licores artesanais, santos, sandálias, bolsas de couro, rendas, bordados e bilros, redes e roupas... No Mercado Central, encontra-se um pouco de todo o artesanato e produção cultural cearense. São cerca de 600 lojas e quiosques, espalhados por um prédio moderno, inaugurado em 1998. Com tamanha quantidade de ofertas, convém
pesquisar bastante (leia-se pechinchar) antes de comprar. A circulação de ar é facilitada por um grande vão central, e a de pessoas, pelos corredores largos. Um elevador e rampas com piso antiderrapante dão acesso aos níveis superiores. O Mercado tem cinco andares, sendo um de estacionamento. 2ª a 6ª, 8h às 18h30; sábado e domingo, 8h às 13h. Av. Alberto Nepomuceno, 199, Centro. Telefone: (85) 3454-8586.
Praia do Futuro
Com 8 quilômetros de extensão, larga faixa de areia e postos de salvavidas a cada 500 metros, a Praia do Futuro é “a praia” de Fortaleza – até por ser a única própria para banho. Dezenas de barracas competem para atrair a atenção de fortalezenses e turistas. A infraestrutura delas varia bastante, das mais rústicas às mais equipadas, com serviços exclusivos, que incluem massagem e playground infantil. É o caso da Itapariká (www.itaparika.com.br), com cerca de 10 mil metros quadrados, área gramada, coqueiros, chuveiros de água doce e miniparque aquático para a criançada – além de banheiros adaptados, rampas e caminho de pedra até as barraquinhas, a poucos metros do mar. As noites de quinta-feira e os fins de semana têm música ao vivo (MPB e samba). No cardápio, como em outras barracas, o caranguejo reina, absoluto.
Barraca Itapariká: 2ª a 4ª, 8h às 17h; 5ª, 8h à 1h; 6ª a domingo, 8h às 17h. Av. Zezé Diogo, 6.801, Praia do Futuro. Telefone: (85) 3265-3213.
Tapioca
Parada estratégica de quem vai passear pelas praias do litoral leste do Ceará, o Centro das Tapioqueiras reúne 26 produtoras do quitute, provavelmente a mais deliciosa herança indígena à culinária do Nordeste. Dá para acompanhar, na hora, o preparo da tapioca, que leva goma de mandioca, coco fresco, ralado, e recheio farto. Cada tapioqueira oferece 70 (ou até mais) variações, que vão da tradicional, com leite de coco, a opções menos convencionais, recheadas com bacalhau, camarão, caranguejo, carne-de-sol. Sem falar nas versões doces (banana, chocolate com morango ou goiabada com queijo). Para acompanhar, café – na xícara ou na garrafa. Embora não seja adaptado, o espaço é amplo, com boa circulação entre as mesas. Em volta, ficam os boxes, padronizados, em
estrutura de tijolos aparentes. Há sanitários coletivos e estacionamento grátis.
2ª a domingo, 6h às 22h. Av. Washington Soares, 10.215, Messejana. Telefone: (85) 3274-7565.
Museu do Ceará
O maior acervo sobre a história do Ceará está mantido nesse imponente museu. Ao todo, são mais de 15 mil peças: moedas, medalhas, quadros, móveis, tesouros arqueológicos, artefatos indígenas, bandeiras, armas. Quem não é cearense vai estranhar a inusitada presença de um bode empalhado. É o Bode Ioiô, personagem folclórico de Fortaleza. Conta-se que, nos anos 1920, ele perambulava na companhia de poetas e boêmios, que
lhe davam cachaça para beber. Inaugurado em 1933, o museu está instalado no Palacete Senador Alencar, um edifício neoclássico de 1871, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e que abrigou, antes, a Assembleia Provincial do Ceará. O prédio possui acesso por elevador e corredores largos e planos, que facilitam a circulação de pessoas com defi ciência. Perto dali ficam o Palácio da Luz (sede da Academia Cearense de Letras), a Igreja do Rosário e a Praça dos Leões, que formam importante conjunto arquitetônico. 3ª a sábado, 9h às 17h. Entrada gratuita. Visitas guiadas com agendamento prévio para grupos a partir de cinco pessoas. R. São Paulo,
51, Centro. Telefone: (85) 3101-2610.
Theatro José de Alencar
Um dos mais belos teatros do País completa seu primeiro centenário, em 2010.
Batizado com o nome do maior baluarte das letras cearenses (e também da literatura
romântica brasileira do século IIX), o Theatro José de Alencar – na grafia arcaica, com “h”, como diz o letreiro – abriu ao público, pela primeira vez, em 17 de junho de 1910. Sua combinação de estilos, peculiarmente harmônica, encanta ainda hoje. A fachada externa, onde fica a bilheteria, é sisuda, neoclássica, contrastando com a segunda
fachada, em estilo art nouveau, com estrutura metálica (importada da Escócia) onde reluzem vitrais coloridos, que dão ar despojado, quase circense, à construção.
Além da sala de espetáculos, que comporta 700 pessoas, o espaço dispõe de auditório, foyer (recepção) e jardim, incorporado nos anos 1970, com projeto do célebre paisagista Burle Marx. Para o público com deficiência, o Theatro oferece programação mensal, impressa em Braille, e organiza visitas guiadas, com áudiodescrição e intérprete de Libras, contando um pouco da história da edifi cação (as visitas ocorrem no dia 17
de cada mês ou sob agendamento, pelo telefone (85) 3101-2566). O acesso a cadeirantes, porém, se restringe ao andar térreo, por não haver elevador. Atividades gratuitas acontecem todo dia 17, em comemoração ao aniversário, e também no último domingo do mês (Domingueira no Theatro), como parte do programa Theatro de Portas Abertas.
3ª a 6ª, 8h às 16h; sábado e domingo, 13h às 16h (visitas guiadas). Praça José de Alencar s/nº, Centro. Telefone: (85) 3101-2583.
|
|
Boteco
Filial de uma rede de bares do Recife, com embaixadas em várias capitais nordestinas, Ostenta a fama de servir o melhor chope da cidade: a bebida chega à mesa com colarinho cremoso e a três graus negativos. Para acompanhá-lo, uma dica é a porção de feijão-verde
com queijo coalho e carne de charque. Com capacidade para 400 pessoas, o bar tem clima descontraído, e decoração que lembra os botecos clássicos de antigamente, com piso xadrez e azulejos nas paredes. A casa tem rampa na entrada e banheiro com cabine adaptada. Aos sábados, samba e chorinho fazem fundo musical para a concorrida feijoada. Nesse dia, e aos domingos, circular por entre as mesas fi ca bem complicado.
3ª a 6ª, 17h a 0h; sábado e domingo, 12h a 0h. Av. Antônio Sales, 3.177, Dionísio Torres. Telefone: (85) 3461-2872.
Buoni Amici’s Sport Bar
Próximo ao Centro Dragão do Mar, o bar e pizzaria é um dos points da noite fortalezense.
Flâmulas e camisas de times de futebol compõem a decoração da casa, onde há sempre algum evento esportivo nas TVs e telões. A programação musical é um capítulo à parte, com mix eclético de quinta a domingo: música brasileira, eletrônica, samba, rock e soul, ao vivo ou na radiola dos DJs. Nesses dias, a entrada é paga. As festas de sexta e sábado
são bem concorridas (o que acaba sendo sinônimo de circulação mais complicada). A casa tem 30 sabores de pizza no menu – como a que leva presunto de Parma e mussarela – e banheiros com acesso por rampa e cabines adaptadas para pessoas com deficiência.
2ª a dom., 16h a 0h. R. Dragão do Mar, 80, Praia de Iracema. Telefone: (85) 3219-5454.
Coco Bambu
O cardápio prima pela diversidade. Tapiocas, crepes, pizzas, pastéis, doces e até sushis surgem no menu, e, na hora do almoço, um bufê oferece iguarias regionais. Das pizzas, a que leva o nome da casa tem cobertura de frango defumado, ervilha, cebola, tomate seco e manjericão. Na sobremesa, não deixe de provar a famosa torta de banana. A decoração remete a uma floresta tropical, com aves e peixes ajudando a compor o cenário. Na parte baixa, de clima mais despojado, o chão é de terra batida, as mesas e os bancos são de madeira rústica, e o telhado, de sapê. A casa tem rampa de acesso, banheiro adaptado e vaga de estacionamento reservada para clientes com deficiência.
2ª a 4ª, 11h às 15h; 5ª a sábado, 11h à 1h; dom., 11h às 15h. R. Canuto de Aguiar, 1.317, Varjota. Telefone: (85) 3242-7557.
Colher de Pau
Para comer o que cearense come, a pedida é ir a um restaurante regional, como
o Colher de Pau. O sabor da terra, do sertão do Ceará, está bem representado no carneiro cozido, servido com pirão de carneiro e arroz, e na carne-de-sol desfiada com cebola roxa, acompanhada de baião-de-dois, banana frita, macaxeira (mandioca) e paçoca. Já o sabor do mar, das praias do estado, se faz presente em receitas como o arroz de camarão (com molho branco da casa, azeitonas e cenoura). O tempero, certeiro, conquistou até mesmo o exigente paladar dos paulistanos – o restaurante tem filial no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Em uma esquina movimentada da Varjota,
Milmares
O nome da casa é sugestivo. O “Mil” indica fartura, variedade; e o “mares” deixa claro que a especialidade são os frutos do mar. Mas não espere mais um restaurante rústico, de beira de praia. Aqui, a ambientação é sofisticada, e o salão, amplo e climatizado. A praia aparece só na decoração e no nome dos pratos de camarão, que homenageiam pontos concorridos do litoral cearense. O camarão Canoa Quebrada é empanado, com recheio de catupiry. O Taíba, servido no azeite com ervas, palmito e champignon. O crustáceo é ainda a estrela do festival de camarão, no almoço de quarta a sexta – no jantar de quinta e
sexta, o festival é de frutos do mar variados. A casa dispõe de rampa na entrada,
mas nenhum banheiro adaptado. 2ª a dom., 12h às 15h, 18h a 0h. R. Frederico Borges, 496, Varjota. Telefone: (85) 3267-1000.
Órbita
Na noite de Fortaleza, esse é um dos lugares que nunca saem de moda. Desde que abriu as portas, em 1999, em um galpão de esquina nas imediações do Centro Dragão do Mar, o Órbita Bar vive cheio, com público jovem que vem se divertir nas mesas de sinuca e pista de dança, ao som do eclético menu musical, com surf music, reggae, samba e pop-rock. O preparo de drinques (como a margarita frozen de morango) é performático – os barmen fazem malabarismos com copos e garrafas e até dançam no balcão. Para participar da animação, contudo, ainda é preciso enfrentar barreiras: não há banheiro adaptado e o acesso é feito por portas laterais, com um pequeno degrau na subida.
5ª a domingo, 21h às 5h. R. Dragão do Mar, 207, Praia de Iracema. Telefone: (85) 3453-1421.
L’ô
Apontada como uma das mais requintadas cozinhas da cidade, é comandada pela chef Marie Anne Bauer. A casa prima pela criatividade contemporânea em busca dos sabores disponíveis na região, elaborando criações como risoto de hadoque com creme de queijo, carré de cordeiro com molho de vinho Jerez e risoto de uvas, e coelho desossado ao molho funghi e talharim de mandioca. O salão, de 60 lugares na parte interna, climatizada, tem pé direito duplo. A atmosfera, acolhedora, se completa no descontraído bar ao ar livre, com jardim e espelho-d’água. O restaurante tem rampa de acesso e banheiro adaptado com barras de apoio, espaço de manobra e pia na altura adequada, além de estacionamento com manobrista. Às quartas-feiras e sextas-feiras, o restaurante ganha animação extra, com a participação de DJs. 3ª a 5ª, 19h a 0h; 6ª, 12h às 15h30, 19h a 0h; sábado, 19h a 0h; domingo, 12h às 15h30. Av. Pessoa Anta, 217, Centro. Telefone: (85) 3265-2288.
Peixada do Meio
Um dos restaurantes mais tradicionais de Fortaleza, é bastante frequentado por turistas, que se entregam à contemplação da vista da colônia dos pescadores de Mucuripe. Pratos de peixe para duas pessoas compõem o cardápio. Para refeições mais incrementadas, a dica é a lagosta ao Chef Cícero, flambada no vinho e servida no abacaxi. A casa
tem menu infantil e área de recreação. No salão térreo, com 200 lugares, o vão
entre as mesas é suficiente para circulação de cadeirantes. O acesso ao andar
superior, porém, é apenas por escadas, e não há banheiro adaptado. 2ª a 6ª, 11h30 a 0h. Av. Beira Mar, 4.632, Praia de Mucuripe. Telefone: (85) 3263-1799.
Pirata Bar
Segunda-feira é dia de dormir cedo e poupar energia para encarar o resto da semana. Mas não em Fortaleza! Sinônimo de forró, desde 1986, o Pirata Bar promove uma noitada intitulada, com razão, de “a segunda-feira mais louca do mundo”. São sete horas seguidas de muita música e animação, com quatro bandas forrozeiras revezando-se no palco.
Todo ano, 150 mil pessoas passam por aqui, sendo os picos de movimento nos meses de janeiro e julho, quando a alta temporada faz o Pirata ferver ainda mais (difícil um turista sair sem levar uma lembrança da loja de suvenires). Pena que o espaço, um navio pirata
atracado na praia de Iracema, peque pela falta de acessibilidade. Vale ir, pelo diferencial. E pedir ajustes para voltar. 2ª, 21h às 4h. R. dos Tabajaras, 325, Praia de Iracema. Telefone: (85) 4011-6161.
Vignoli
O ambiente, charmoso e intimista, com iluminação baixa, chama a atenção de quem passa por uma das poucas ruas calmas da Varjota, bairro que é reduto gastronômico da cidade. A decoração da casa está carregada de referências pessoais do artista e proprietário, Cláudio Vignoli, que imprimiu ali mais uma marca: a da suas pizzas. É dele a receita da
massa, finíssima e crocante. Com 50% a menos de sódio e sem levar óleo, leite ou ovos no preparo, lembra até uma bolacha de água e sal. Dos sabores, a pizza light tem ricota temperada, blanquet de peru e rúcula. Já a clássica marguerita, vem com molho de tomate, mussarela e manjericão. O espaço de circulação entre as mesas é amplo, porém a casa não dispõe de banheiro adaptado. 2ª a 5ª, 18h a 0h; 6ª a domingo, 18h à 1h. R. Frederico Borges, 125, Varjota. Telefone: (85) 3267-9450.
|
|
Holiday Inn
Em frente à praia de Iracema, tem 273 apartamentos, quase todos com vista para o mar, sendo 4 deles acessíveis a cadeirantes. A circulação interna, contudo, é complicada. Elevadores atendem a todos os pisos comuns, como área de lazer e restaurante. No térreo, há uma franquia do restaurante francês Marcel (com matriz em São Paulo), especializado em suflês. Estacionamento com manobrista. Av. Historiador Raimundo Girão, 800,
Praia de Iracema. Telefone: (85) 3455-5000. www.hinnbrasil.com.br
Blue Tree Premium Fortaleza
Hotel com foco no público de negócios, fica perto do centro e a 200 metros da praia. São 248 apartamentos, 4 deles (da categoria standard) indicados para pessoas com deficiência. Têm banheiro com barras de apoio, pias rebaixadas e chuveiro com cortina. Todos estão equipados com ar condicionado, de controle individual, frigobar, cofre eletrônico, secador de cabelos e acesso à Internet com banda larga. O serviço de quarto funciona 24 horas. O lazer inclui piscina, sauna seca e fitness center.
R. Doutor Atualpa Barbosa de Lima, 500, Praia de Iracema. Telefone: (85) 4008-4008. www.bluetree.com.br
Luzeiros
Primeiro hotel design do Ceará, chama a atenção pelo estilo clean, moderno, de sua decoração.Você quase esquece que está em uma cidade litorânea – mas a praia do Meireles, do outro lado da avenida Beira-Mar, não deixa dúvidas. A poucos metros da famosa feirinha noturna de artesanatos, o Luzeiros tem 2 apartamentos para viajantes com deficiência, localizados no 1º andar; cada um comporta duas pessoas. Além de banheiro com vaso sanitário adaptado, barras de apoio, cortina e piso antiderrapante, dispõem de TV 20 polegadas, dois aparelhos de telefone, ar condicionado central, de controle individual, frigobar, cofre digital e secador de cabelos. Há, ainda, dois Restaurantes, piscina, business center e estacionamento. Av. Beira-Mar 2.600, Praia do Meireles. Telefone: (85) 4006-8585. www.hotelluzeiros.com.br
Marina Park Hotel
Em uma área de 4 hectares (o equivalente a 40 mil metros quadrados), o Marina Park Hotel guarda a forma vistosa de um navio. Sua estrutura inclui marina para 150 iates, amplo centro de convenções e pavilhão de eventos que, todo mês de outubro, recebe o Ceará Music, o maior festival de música do estado (a 8ª edição, em 2008, reuniu o grupo inglês The Cult e os brasileiros O Rappa, Pitty e Capital Inicial). No lazer, destacam-se a piscina – grande, com coqueiros em volta – e as quatro quadras de tênis. Papais e mamães ganham uma dose extra de sossego com a área de recreação infantil, que conta monitores de olho nas crianças de até 12 anos. O Marina Park tem 315 apartamentos (2 acessíveis), com capacidade para quatro pessoas, cama kingsize, TV, frigobar, ar condicionado central, secador de cabelos e banheira. Av. Presidente Castelo Branco, 400, Praia de Iracema. Telefone: (85) 4006-9595. www.marinapark.com.br
Ponta Mar Hotel
Um dos hotéis mais antigos da orla está de cara nova. Hoje, todas as 260 acomodações
estão equipadas com ar condicionado, TV a cabo, frigobar e secador de cabelos no banheiro. Possui 2 apartamentos adaptados para pessoas com deficiência, mais espaçosos, facilitando a circulação. Nas áreas comuns, há rampas de acesso para o restaurante, bar e piscina, todos no piso térreo. Av. Beira-Mar, 2.200, Praia do Meireles. Telefone: (85) 4006-2200. www.pontamar.com.br
Praia Centro
Localizado na entrada da avenida Monsenhor Tabosa, um dos principais centros
de compras da capital do Ceará, tem 192 apartamentos (2 deles adaptados para turistas com defi ciência, comportando duas pessoas, cada um) com piso de azulejo, ar condicionado central, telefone, frigobar e TV a cabo. A área de lazer do hotel fica concentrada no último andar, com acesso por elevador. Av. Monsenhor Tabosa, 740,
Praia de Iracema. Telefone: (85) 3083-1122. www.praiacentro.com.br
Sonata de Iracema
Um dos hotéis mais novos da capital cearense, próximo à Ponte dos Ingleses e ao Centro Dragão do Mar, o Sonata de Iracema tem 117 apartamentos, sendo 1 deles com adaptações no banheiro e disposição diferente dos móveis, para evitar acidentes e facilitar a locomoção de pessoas com deficiência. Os quartos são equipados com TV 21 polegadas de tela plana, canais a cabo, Internet, frigobar e ar-condicionado. Há sala de ginástica
e piscina (acesso por escada). Av. Beira-Mar, 848, Praia de Iracema. Telefone: (85) 4006-1600.
www.sonatadeiracema.com.br
Vila Galé
A rede portuguesa tem três hotéis no Nordeste brasileiro – esta é uma delas. O hotel é uma das poucas alternativas de hospedagem na praia do Futuro e, com certeza, a mais confortável. O lazer inclui piscina, saunas, banheira de hidromassagem, sala de ginástica e quadras de tênis e de vôlei, além de uma barraca de praia própria, ligada ao hotel por uma passarela – com escadas. Há 3 apartamentos adaptados para turistas com deficiência, com portas mais largas, barras de apoio junto ao vaso sanitário e pia rebaixada. Cada um comporta duas pessoas. Nas áreas comuns, rampas dão acesso ao restaurante, bar e à piscina, todos no andar térreo. Av. Dioguinho, 4.189, Praia do Futuro. Telefone: (85) 3486-4400. www.vilagale.pt
Gran Marquise by Sol Meliá
Na enseada do Mucuripe, próximo à famosa estátua de Iracema, é um dos mais luxuosos hotéis de Fortaleza. Os 230 apartamentos (1 deles reservado para pessoas com deficiência) têm camas king-size e twin-beds com travesseiros de pena, TV 29 polegadas com canais por assinatura, dois aparelhos de telefone (um no banheiro), acesso à Internet (por cabo e wi-fi) e cofre eletrônico. O serviço de quarto é 24 horas. O Gran Marquise ainda dispõe de piscina, sala de ginástica, sauna seca e a vapor, salas de massagens e jacuzzi, e três restaurantes com diferentes estilos de cozinha (da Contemporânea à oriental). Um deles serve uma festejada feijoada, aos sábados. Desde a entrada, todos os acessos internos são amplos, sem desníveis, e o balcão do check in tem área rebaixada. O hotel diz estar preparado a receber hóspedes cegos acompanhados de cães-guias. Av. Beira-Mar, 3.980, Mucuripe. Telefone: (85) 4006-5000. Www.granmarquise.com.br
|
|
A HORA DA ACESSIBILIDADE - Junior Citó, 41 anos, bancário do Banco do Brasil
Bacharel em direito e cursando especialização em recursos humanos, com foco em acessibilidade, o bancário Júnior Citó, 41 anos, considera que a infraestrutura da cidade para receber turistas com deficiência e mobilidade reduzida vem melhorando. “Recentemente, visitei o Mercado Central e o Centro Cultural Dragão do Mar, que oferecem boas condições de acesso e circulação a pessoas com deficiência. No Mercado, há rampas e elevador, o que torna possível fazer esses passeios com independência.” Já no resto da cidade, considera que há muito por se fazer.“Estive em São Paulo e Belo Horizonte, onde me senti bem mais confortável para circular.” Na maioria das vezes, ele caminha com apoio de muletas – por causa de uma paralisia infantil. “Quando estou cansado, utilizo a cadeira de rodas. Então, percebo o quanto é importante termos pisos adequados para tocá-la sem ter de pedir ajuda às pessoas para vencer os obstáculos.”
|
|
|
|