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CIDADE (SEMPRE) MARAVILHOSA
Capital por quase 200 anos, o Rio segue sendo o cartão-postal do Brasil
“O Rio de Janeiro continua lindo...”, e os versos de Gilberto Gil (em Aquele Abraço) continuam fazendo justiça à cidade que é o principal cartão-postal
– para o bem e para o mal – do Brasil. Mazelas à parte, e elas são muitas,
parece impossível permanecer impassível ao Rio. Como não se extasiar com a geografia exuberante, com o recorte formoso da cidade espremida entre o mar e as montanhas verdejantes? Muito desse verde que se vê hoje, aliás, não é original. Na primeira metade do século XIX, o cultivo do café devastara as encostas cariocas, e foi preciso que o imperador Dom Pedro II ordenasse um extenso e inédito programa de reflorestamento – e olha que, na época, ninguém sabia ainda o que era ecologia. Sorte nossa, que hoje podemos desfrutar da Floresta da Tijuca, a maior área florestal urbana do planeta.
Mas a história do Rio começa bem antes de Dom Pedro II. Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá, sobrinho do terceiro governador-geral do Brasil, Mem de Sá, fundou, entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Batizada em homenagem ao rei Dom Sebastião, ela nascia da necessidade urgente de marcar território: dez anos antes, o almirante Nicolas de Villegaignon havia erguido um forte numa ilhota da Baía de Guanabara (chamada ainda hoje de Ilha de Villegaignon), fundando assim a França Antártica, uma colônia francesa encravada em terras de Portugal. Era preciso rechaçá-los. Com o apoio dos ferozes índios tamoios, os franceses resistiram por quase dois anos: só seriam derrotados de vez pelos portugueses
– que, por sua vez, tinham o reforço dos índios temiminós, inimigos ancestrais dos tamoios – em 20 de janeiro de 1567, por coincidência, dia de São Sebastião. Em outro paralelo com o mártir cristão (varado por flechas a mando do imperador romano Diocleciano, no século III), Estácio de Sá foi ferido, na batalha, por uma seta envenenada; morreu um mês mais tarde.
Em 1763, a capital é transferida de Salvador para o Rio, de onde o ouro encontrado nas jazidas de Minas Gerais seria mais facilmente escoado para Lisboa. Mas a grande transformação se dá em 1808. Fugindo dos avanços de Napoleão Bonaparte, o príncipe regente Dom João, a Família Real e toda a corte (entre 10 mil e 15 mil pessoas, no total) se transferem de mala e cuia para o Rio de Janeiro, que passa a ser a sede do Reino de Portugal. Quase de imediato, a paisagem carioca começa a mudar. Ruas são alargadas; calçadas, construídas. A cidade vai ficando mais moderna, limpa, e ganha um banho de civilização. No mesmo ano, começa a circular a Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal do País. Fundam-se a Real Biblioteca do Brasil (o embrião da Biblioteca Nacional), e a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (a atual Escola de Belas Artes); Na área de um antigo engenho de cana, ergue-se uma fábrica de pólvora; a beleza do entorno deixa Dom João fascinado. Ali ele inaugura o Real Horto, depois rebatizado de Jardim Botânico.
Vem a independência e, mais tarde, a República. O Rio se consolida como principal polo cultural do Brasil. Ainda no fim do século XIX, Machado de Assis funda a Academia Brasileira de Letras; já no século XX, inaugura-se o Teatro Municipal, inspirado na Ópera de Paris. A capital francesa também servira de modelo para o prefeito Pereira Passos, que entre 1902 e 1906 manda abrir largas avenidas no centro da cidade, no estilo dos bulevares parisienses. Túneis ligam Botafogo a Copacabana, iniciando-se assim a ocupação do bairro, e popularizando o hábito (tão carioca) dos banhos de mar. Um otimismo ensolarado parece contagiar o Rio. No início dos anos 1920, dois hotéis de luxo, o Glória e o Copacabana Palace, abrem as portas: a cidade entra de vez na rota do turismo internacional. Na década seguinte, a estátua do Cristo Redentor é instalada no topo do Corcovado, e Aurora Miranda grava a marcha de André Filho que viraria a sensação do Carnaval de 1935 (e hino extraoficial do Rio): “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil...”
E, em uma cidade de tantos encantos, a vocação para a música é algo natural. O Rio é o berço do samba, do chorinho, da Bossa Nova: de Jacob do Bandolim a Tom Jobim, de Cartola a Paulinho da Viola, a lista de artistas que têm ou tiveram o Rio como sua terra-natal e fonte de inspiração vai longe, inclui Noel Rosa, Pixinguinha, Vinícius de Moraes, Chico Buarque... Essa musicalidade é exacerbada à enésima potência no Carnaval, tanto pelas escolas de samba, com seus desfiles cronometrados, percorrendo a Marquês de Sapucaí em carros alegóricos nababescos, como pelos irreverentes blocos de rua, que em anos recentes voltaram a colorir a cidade, num fuzuê sem hora para acabar.A euforia tem sido tanta que não há bloco que chegue. Em 2009, o mais tradicional deles, o Cordão da Bola Preta, fundado em 1918, arrastou 800 mil foliões às ruas do Centro. Uma aglomeração de proporções comparáveis, talvez, apenas ao réveillon, que todo dia 31 de dezembro leva milhares, milhões de pessoas (cariocas e turistas) à praia de Copacabana.
O Rio, claro, não é só festa. Desde que a capital foi transferida para Brasília, em 1960, a cidade sofre com o descaso do poder público. A retração econômica e a falta de políticas de habitação abriram as porteiras para a ocupação desordenada dos morros, muitos deles dominados pelo tráfico de drogas. A violência existe – e assusta; aliás, como em qualquer metrópole brasileira, mas no Rio ela repercute com mais força, seja pela
proximidade morro-asfalto, seja porque a cidade serve de caixa de ressonância das sequelas nacionais, reverberandoas para o resto do País. Mas o carioca resiste a se deixar ficar preso em casa.A vida noturna segue intensa, ainda mais depois que, na última década, o outrora decadente bairro da Lapa (região central do Rio) ressurgiu, revitalizado, com novas casas de samba ocupando antigos casarões restaurados.
Vários bairros têm personalidade própria, marcante, e são atrações turísticas em si mesmas. Também na área do Centro, Santa Teresa é território de gente descolada, com ruas e ladeiras de paralelepípedo se espalhando por morros, cheias de barzinhos e ateliês. Já na Zona Sul, o ar bucólico da Urca, pequeno bairro residencial aos pés do Pão de Açúcar, contrasta com o caos e a claustrofobia de Copacabana, que continua sendo a praia preferida dos gringos. Já Ipanema é a favorita dos cariocas, com seu jeito despojado (e que todo verão lança uma moda). Vizinho, o Leblon reúne, numa combinação salutar, lojas de grife e restaurantes chiques à informalidade dos bares e botecos, e de sua contrapartida natureba, as casas de suco, onde a regra também é encostar o cotovelo no balcão. Mais distante, a Barra da Tijuca lembra Miami, com shoppings e condomínios, mas preserva uma das melhores praias da cidade, com aspecto meio selvagem, onde kitesurfistas aproveitam o vento forte.
Por falar em praia, pessoas com deficiência encontram no Rio a chance de aprender a surfar. O trabalho é realizado pela ONG Adaptsurf, o ano todo, nas praias do Leblon e da Barra (leia mais no texto da página 208). A cidade ainda dá os primeiros passos na promoção da acessibilidade. Em Copacabana, a rua Rodolfo Dantas tem sonorização nos sinais de trânsito desde a estação Cardeal Arcoverde do metrô até a quadra da praia, mas na época da visita (janeiro de 2009), o aviso sonoro não alertava para
a hora de cruzar a rua (dizia só quando não cruzar), e não havia trilha podotátil na calçada. Dos meios de transporte, o site do metrô (www.metrorio.com.br) traz informações sobre as estações mais acessíveis, equipadas com elevadores convencionais e/ou plataformas (inclinadas e verticais). Já a Coop Taxi possui 20 carros (Fiat Doblô) adaptados, com elevador hidráulico, ar-condicionado e lugar para dois acompanhantes. O
serviço funciona 24 horas, mas é preciso agendá-lo. Telefone: (21) 3295-9606 (ou www.especialcooptaxirj.com.br).
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Chácara do Céu
Com ruas e ladeiras labirínticas, cheias de barzinhos e ateliês, Santa Teresa é um bairro meio boêmio, meio bucólico. O clima de antigamente é reforçado pelo bonde elétrico, amarelo, que ainda circula por aqui, tirando tinta dos carros parados sobre as calçadas. Que, aliás, são estreitíssimas e, com o sobe-e-desce das ruas, percorrer Santa não é fácil. Mas, vale conhecer o bairro, ou ao me-nos a Chácara do Céu, antiga residência do mecenas Raymundo Castro Maya, transformada em museu. São três an-dares, com elevador. Alguns ambientes foram mantidos, como a biblioteca (com gravuras de Pablo Picasso e Modigliani) e a sala de jantar, que tem porcelana inglesa, biombo chinês, lampadário de prata do barroco brasileiro e pinturas francesas do século XIX. Num dos quartos, um módulo de gavetas guarda aquarelas de Debret e a série Dom Quixote, de Cândido Portinari. 2ª, e 4ª a domingo, 12h às 17h. R. Murtinho Nobre, 93, Santa Teresa. Telefone: (21) 2224-8981.
Cinelândia
No começo do século XX, a praça Marechal Floriano era uma espécie de Broadway, abrigando diversos teatros e cinemas – daí o apelido de Cinelândia. Desses, só restou o Odeon, mas no entorno, edifícios históricos preservam importantes acervos culturais. A Biblioteca Nacional é a maior da América Latina, com 10 milhões de obras. Na visita guiada, conhece-se o prédio (de 1910), de estilo eclético e com bela claraboia de cristal. Há elevadores e rampa de entrada nos fundos (R. México, s/nº). Des-de julho de 2008, a Biblioteca dispõe de aparelhos para auxiliar leitores cegos ou de baixa visão: dois ampliadores eletrônicos, que aumentam o texto em até 40 vezes, e um leitor autônomo, espécie de escâner que digitaliza um texto e o transforma em voz. O uso dos equipamentos é restrito a duas horas por dia, e basta que a pessoa ligue antes, agendando; não é preciso cadastro. Do outro lado da rua, o Museu Nacional de Belas
Artes (de 1908) abriga importante coleção de pintores brasileiros. Um elevador leva até o 3º andar – para o 4º, onde fica a galeria de arte contemporânea, o acesso é por escada. Na época da visita (janeiro de 2009), a ala dos artistas do século XIX estava fechada. Em frente, o Theatro Municipal, de 1909, também passava por obras: sua previsão de reabertura é novembro de 2009. Biblioteca Nacional: 2ª a 6ª, 9h às 19h; sábado, 10h
às 14h. Av. Rio Branco, 219, Cinelândia. Telefone: (21) 3095-3879. Visita guiada: 2ª a 6ª, às 11h e às 15h; proibido entrar de short ou camiseta regata. Aparelhos para cegos e pessoas
de baixa visão: 2ª a 6ª, 10h às 17h. Telefone: (21) 3095-3895. Museu Nacional de Belas Artes:
3ª a 6ª, 10h às 18h; sábado e domingo, 12h às 17h. Av. Rio Branco, 199, Cinelândia. Telefone: (21) 2240-0068.
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
O belo edifício de linhas neoclássicas onde funcionou a sede do banco abriga, desde 1989, um centro cultural. A programação do mês, impressa em Braille, inclui exposições de arte, teatro – duas salas têm, cada, três lugares reservados para pessoas com deficiência – e uma sessão por semana de cinema nacional legendado e áudio-descrito (todo sábado, às 17h; é preciso retirar senha uma hora antes). A circulação conta com rampas na entrada, dois elevadores exclusivos para cadeirantes (um leva ao restaurante do mezanino, outro à videoteca) e quatro elevadores antigos, pequenos, com ascensorista, que atendem todos os andares. O respeito pelo público com deficiência se revela ainda no treinamento dos funcionários – um deles domina Libras –, no telefone para surdos (no térreo, à direita de quem entra) e na bilheteria rebaixada. Grátis.
3ª a domingo, 10h às 21h. R. 1º de Março, 66, Centro. Telefone: (21) 3808-2020.
Cristo Redentor
Subir o Corcovado, a 710 metros do nível do mar, e ficar aos pés do Cristo Redentor, é mesmo um programa imperdível. Inaugurada em 1931, a estátua do Cristo, com seus braços abertos e 30 metros de altura (mais 8 de pedestal), foi escolhida como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, numa votação pela Internet, em 2007. Há duas maneiras de chegar ao topo. Do Cosme Velho, um trenzinho leva 20 minutos, em plano inclinado. O transporte não é muito acessível: a porta é estreita e não existe espaço reservado para o cadeirante, que corre o risco de virar com a cadeira, por conta da inclinação (isso quase ocorreu no dia da visita). A outra alternativa é ir de carro ou táxi até a estrada das Paineiras, e de lá seguir 10 minutos a bordo de van credenciada (sem adaptação). O cadeirante que dirigir o próprio carro, sinalizado, pode ainda dispensar a van e estacionar no Corcovado, pagando o mesmo valor do ingresso com acesso por van (cerca de um terço do preço do trenzinho). Do platô inferior do Corcovado, um elevador e dois lances de escada rolante levam ao Cristo. Os funcionários são instruídos a acompanhar a pessoa com deficiência no embarque e desembarque do trem, e a segurar a cadeira na subida da escada rolante. Para o restaurante e a lanchonete, porém, o acesso é apenas por escada comum. De trenzinho: saídas 2ª a domingo, 8h30 às 18h30. R. Cosme Velho, 513, Cosme Velho. Telefone: (21) 2558-1329. Com van credenciada: 2ª a domingo, 8h30 às 19h. Estrada das Paineiras (junto ao Hotel das Paineiras). Telefone: (21) 2492-2252.
Forte de Copacabana
Fincado em uma ponta que avança para
o mar, o Forte faz parte da História do Brasil: foi daqui que partiram, em 1922, os militares da Revolta Tenentista, no episódio batizado de “Os 18 do Forte”. Hoje, é um dos pontos mais visitados do Rio, sobretudo no verão: em 2007/08 e 2008/09, a instalação de uma roda gigante atraiu milhares de pessoas, cariocas e turistas; no último ano, um carro adaptado da Coop Táxi ficava de prontidão para transportar pessoas com deficiência à área de embarque. O Forte tem também um Museu Histórico do Exército (acesso por elevador) e uma filial da Confeitaria Colombo, com mesinhas ao ar livre e vista panorâmica da praia. 3ª a domingo, 10h às 17h. Av. Atlântica, Posto 6, Copacabana. Telefone: (21) 2521-1032.
Fundação Eva Klabin
Instalado na casa onde viveu a colecionadora de arte Eva Klabin, o pequeno museu é uma boa dica de programa cultural para depois de um passeio à Lagoa. Seu rico e eclético acervo inclui uma estátua egípcia de 4 mil anos, vasos da dinastia Ming e pinturas das Renascenças ita-liana e flamenga. A casa, porém, não é adaptada. Dá para evitar os degraus da porta principal e entrar pela sala de jantar, passando pelo jardim (nele, também há escada, mas menos íngreme: basta que alguém ajude inclinando a cadeira); porém, o elevador que leva ao segundo andar – onde estão o quarto e outros cômodos – é bem apertado. De todo modo, a visita já vale pelo térreo. 3ª a domingo, 14h às 18h. Av. Epitácio Pessoa, 2480, Lagoa. Telefone: (21) 3202-8550.
Igrejas históricas
O Centro do Rio possui um vasto conjunto de belas igrejas, algumas preparadas para receber turistas. Erguida na segunda metade do século XVIII, a Igreja do Carmo passou a abrigar a Sé com a chegada da Família Real, que se instalou ali em frente, na Praça XV. Palco das coroações e dos casamentos de Dom Pedro I e Dom Pedro II, só deixou de ser a sede da diocese em 1977, com a inauguração da Catedral Metropolitana. Em 2008, reabriu após uma obra que devolveu o brilho dos entalhes, folheados a ouro. Hoje, sua história é contada em um show de som e luz. A igreja tem uma rampa na entrada e banheiro com uma cabine adaptada. Vale também fazer a visita guiada para conhecer a Igreja do Mosteiro de São Bento, possivelmente a mais bonita da cidade. O mosteiro é
de 1590, mas a igreja ganhou o aspecto atual por volta de 1800. Coberta de talhas douradas (de anjos barrocos e motivos fl orais), tem lampadários de Mestre Valentim. O complexo do mosteiro fica sobre uma elevação, acessível por carro. Aos domingos, a missa das 10h é acompanhada de canto gregoriano; para assisti-la, chegue bem cedo. Igreja do Carmo da Antiga Sé: R. 7 de Setembro, 12, Centro. Telefone: (21) 2242-7344. Show de som e luz: horários variados, informações: Telefone: (21) 2221-0501, 9h às 12h. Igreja do Mosteiro de São Bento: 2ª a sábado, 9h às 16h. R. Dom Gerardo, 68, Centro. Telefone: (21) 2206-8100.
Instituto Moreira Salles
O centro cultural, que acolhe mostras de pintura e fotografia, sobretudo, fica instalado em uma bela casa, de estilo modernista e cercada de mata – existe até um riozinho que corta o terreno. Na parte interna, a circulação é fácil, plana; a porta da entrada pode ser um pouco pesada, mas os funcionários, solícitos, ajudam os visitantes. No banheiro há dois boxes privativos para pessoas com deficiência (com porta larga e bom espaço interno, mas vaso um pouco baixo). Do lado de fora, há uma galeria com acesso por escada (com dois elevadores-plataforma, para cadeirantes). Perto da entrada, há duas vagas de estacionamento para deficientes, com sinalização discreta. Grátis.
3ª a domingo, 13h às 20h. R. Marquês de São Vicente, 476, Gávea. Telefone: (21) 3284-7400.
Jardim Botânico
Fundado por Dom João VI logo após a chegada da Família Real, o Jardim Botânico completou 200 anos, em 2008. Sua marca registrada são as palmeiras imperiais, de até 50 metros. Um carrinho elétrico sai a cada hora (9h-16h, exceto 12h), passando junto ao lago de vitórias- régias, ao orquidário, às ruínas da fábrica de pólvora e ao jardim japonês.
Quem preferir dispensar a carona pode percorrer as alamedas de terra batida com ajuda de um mapa, disponível no centro de visitantes; mas não há mapa tátil, e a sinalização está bem apagada. Vale conhecer o jardim sensorial, onde cegos guiam visitantes de olhos vendados por um minilabirinto, mostrando as texturas e os odores das plantas. Deu
vontade de ir ao banheiro? O mais acessível está junto ao lago; tem uma rampa sinuosa, com corrimão, barras de apoio e ótimo espaço de manobra. 2ª a domingo, 8h às 17h. R. Jardim Botânico, 920 (nº 1.008, para carros), Jardim Botânico. Telefone: (21) 3874-1808.
Lagoa Rodrigo de Feitas
A Lagoa Rodrigo de Freitas, com sua pista de 7,5 quilômetros, é um dos principais espaços de lazer do Rio. Os cariocas vêm correr, andar de bicicleta, passear com o cachorro ou tomar um chopinho em um dos quiosques em volta. Em dezembro, o movimento é mais intenso: a árvore de Natal flutuante atrai turistas aos montes. Dá para chegar perto dela com o pedalinho, e até quem não tem o movimento das pernas pode pilotá-lo: existe uma versão motorizada para pessoas com deficiência, sem custo. A 250 metros dali, sentido Ipanema, fi ca o quiosque mais badalado – e acessível – da Lagoa: o Palaphita Kitch. Além de drinques, petiscos e decoração vagamente “amazônica” (com bancos de madeira e telhado de sapê), tem rampas sinalizadas e dois banheiros com barra de apoio lateral junto ao vaso – e pare-des pintadas de preto...! Pedalinho motorizado: Sábado e domingo, 9h às 20h. Saídas na altura do nº 2.800 da Av. Epitácio Pessoa. Palaphita Kitch: 2ª a domingo, 18h à 1h. Av. Epitácio Pessoa, s/nº, Quiosque 20, Parque do Cantagalo, Lagoa. Telefone: (21) 2227-0837.
Maracanã (Estádio Mário Filho)
Inaugurado para a Copa de 1950, foi palco de momentos marcantes do futebol, como a derrota do Brasil para o Uruguai na decisão daquele ano, e o milésimo gol de Pelé, em 1969. O estádio – que deverá receber também a final da Copa de 2014 – é o maior do Brasil, com capacidade para 87 mil pessoas. É possível conhecê-lo durante a visita guiada (por estudantes de turismo); um elevador leva até o anel superior da arquibancada, mas o acesso ao vestiário e ao campo – onde um malabarista faz graça com a bola nos pés – é apenas por escada. O estacionamento, gratuito para quem faz a visita, tem entrada pelo portão 15. 2ª a domingo, de 9h às 17h (visita guiada; até 18h no horário de verão; em dias de jogo, até 5 horas antes da partida). R. Prof. Eurico Rabelo, portão 15 ou 18 (pedestres), Maracanã. Telefone: (21) 2334-1705.
Museu da República (Palácio do Catete)
Residência de presidentes quando o Rio era capital, o palácio neoclássico foi palco do suicídio de Getúlio Vargas. O revólver e a bala estão à mostra – mas o quarto, no 3º piso, só tem acesso por uma escada estreita. Sorte que o térreo abriga exposições temporárias. Uma delas, sobre a Constituinte (prevista para ir até outubro de 2009), traz vídeos com
tradução para Libras, áudio-guias, placas em Braille e glossário sonorizado para pesquisa. A melhor forma de chegar é de metrô, descendo na estação Catete. Para cadeirantes, há uma rampa de acesso nos fundos, e um banheiro com uma cabine adaptada no jardim
que engloba o palácio. 3ª a 6ª, 12h às 17; sábado e domingo, 14h às 18h. R. do Catete,
153, Catete. Telefone: (21) 3235-2650.
Museu de Arte Moderna (MAM)
Fundado em 1948, no Parque do Flamengo, o MAM exibe, além de sua localização privilegiada, obras de alguns dos mais reconhecidos artistas brasileiros: Anita Malfatti, Lasar Segall, Cândido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral. Eles são parte do acervo permanente, formado pela coleção Gilberto Chateaubriand, que se concentra no 3º piso (os outros dois abrigam exposições temporárias). Um elevador atende os três andares, todos planos. No 2º piso, os banheiros coletivos têm uma cabine adaptada (sem sinalização, mas com barras de apoio em altura correta). Aproveitando a ida ao museu, pode-se passear pelo Parque do Flamengo, uma das mais tradicionais áreas de lazer da cidade, com jardins projetados por Burle Marx. Desde o início de 2009, carrinhos elétricos circulam pelo parque, com diferentes opções de roteiro. 3ª a 6ª, 12h às 18h; sábado e domingo, 12h às 19h. Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo. Telefone: (21) 2240-4944. Passeio de carrinho elétrico no Parque do Flamengo: 2ª a domingo, 9h às 17h. Saídas em frente à passarela subterrânea 16, altura da R. Buarque
de Macedo. Telefone: (21) 3215-6136.
Museu Histórico Nacional
Próximo ao aeroporto Santos Dumont, o prédio, que serviu de Arsenal de Guerra (século XVIII), guarda como memória de sua função bélica um pátio repleto de canhões. O acervo inclui, ainda, carruagens e carros antigos, quadros daqueles que ilustram livros de História (como O Combate do Riachuelo, de Victor Meireles) e uma extensa coleção de moedas. O museu recebe também exposições temporárias. No que se refere à circulação,
há elevadores-plataforma e rampas (com e sem corrimão), além de escadas rolantes e elevadores convencionais. Entretanto, algumas salas têm portas pesadas, difíceis de empurrar, e outras estavam em reforma no dia da visita (janeiro de 2009), complicando o deslocamento. No pátio, os canhões trazem sinalização em Braille. 3ª a 6ª, 10h às 17h30; sábado e domingo, 14h às 18h. Pça. Mal. Âncora, s/nº, Centro. Telefone: (21) 2550-9224.
Oi Futuro
A duas quadras da estação Largo do Machado do metrô, o centro cultural tem espaço para exposições de arte contemporânea e um cyber café na cobertura – um elevador sonorizado e com painel em Braille atende os andares. Mas o maior trunfo fi ca no 6º piso, o interativo Museu das Telecomunicações. Ao chegar, recebe-se um controle remoto (semelhante a um chaveiro), ligado a fones de ouvido que, uma vez apontado na direção de sensores infravermelhos, permite ver e ouvir clipes sobre a evolução dos meios de comunicação. Os vídeos, porém, não têm legenda nem tradução para Libras
– e deficientes visuais também precisam de ajuda para saber em que direção apontar o aparelhinho. Grátis. 3ª a domingo, de 11h às 20h. (museu, até 17h). R. Dois de Dezembro, 63, Flamengo. Telefone: (21) 3131-6060.
Pão de Açúcar
Junto com o Cristo Redentor, é o grande cartão-postal do Rio. Na verdade, o que chamamos de Pão de Açúcar são dois morros, o da Urca (com 220 metros) e o Pão de Açúcar (400 metros). Um teleférico – bondinho, para os cariocas – faz o trajeto a partir da Praia Vermelha, ligando os morros, desde 1912. Em 2008, algumas cabines foram trocadas por outras novinhas (as antigas datavam dos anos 1970). Elevadores-plataforma dão acesso à bilheteria e à área de embarque, onde a prioridade é de pessoas com deficiência. Ao descer na estação Morro da Urca, segue-se por um caminho estreito e inclinado. A sinalização indica uma rota alternativa para deficientes, mas ela passa
por um corredor de serviço, feio e sem vista. Já na estação Pão de Açúcar, outro elevador-plataforma leva ao mirante, com bar e loja de suvenires. Há banheiros adaptados nas duas estações. O site (www.bondinho.com.br) informa sobre descontos para visitantes com deficiência. 2ª a domingo, 8h às 19h50. Av. Pasteur, 520, Praia Vermelha.
Telefone: (21) 2461-2700.
Planetário da Gávea
No Museu do Universo, brinquedos interativos ensinam fundamentos da ciência de maneira divertida; tem até um biossimulador, onde a sua missão é criar um planeta com condições de vida (o computador calcula as chances de acerto). O principal atrativo é a cúpula de projeção, onde são exibidos filmes sobre astronomia para diferentes faixas etárias. O aces-so é por uma rampa larga, comprida, com corrimão e piso antiderrapante; dentro da sala, porém, não existe área reservado para cadeirantes, e a distribuição dos assentos em níveis, como em um anfiteatro, dificulta a circulação. Esporadicamente (com agendamento prévio), há sessão para deficientes auditivos, narrada em Libras pelo ator Nelson Pimenta. 3ª a 6ª, 10h às 17h; sábado e domingo, 15h às 19h. R. Vice-Governador Rubens Berardo, 100, Gávea. Telefone: (21) 2274-0046.
Praia acessível: sonho ou realidade?
Praia em geral é sinônimo de diversão democrática. Não existe roleta na porta: qualquer um pode entrar e dar um mergulho. Qualquer um? Para pessoas com deficiência, o que parece ser simples – atravessar a faixa de areia e tomar um banho de mar – ganha contornos de “missão impossível”. Pensando nisso, a ONG carioca Adaptsurf (www.adaptsurf.org.br ) lançou o projeto Praia Acessível: todo domingo, até o fi m de abril de 2009, voluntários organizam atividades de lazer e banho de mar assistido (com uso de cadeiras de rodas anfíbias, que flutuam na água). A base do projeto fi ca no Posto
11, na praia do Leblon, onde uma esteira de bambu é montada, facilitando a circulação
de cadeirantes. Além disso, o ano todo, a ONG dá aulas de surfe para pessoas com (qualquer tipo de) deficiência; elas acontecem pela manhã, sob agendamento, no Leblon ou na praia da Barra, no Posto 2, próximo à Barraca do Pepê. As pranchas são adaptadas conforme a deficiência: têm alças, texturas, material mais leve e quilhas flexíveis. Cada aluno é assistido por um fisioterapeuta, uma professora de educação física e dois instrutores de surfe.
Vida noturna: Lapa
Na região central do Rio, o bairro da Lapa é famoso pelos seus arcos (parte do antigo Aqueduto da Carioca, que abastecia a cidade de água nos séculos XVIII e XIX, e hoje serve de viaduto para o bonde de Santa Teresa), e por ser um dos mais efervescentes pontos da noite carioca. Depois de décadas de decadência, a Lapa ressurgiu na virada do milênio, com novas casas de samba brotando do chão, quase que a cada semana. Encontrar música de qualidade é fácil. Mais difícil é achar um lugar acessível a pessoas com deficiência. Entre as exceções, o Rio Scenarium, um dos pioneiros na revitalização do bairro, funciona ainda como antiquário, e as peças são parte da decoração. A casa dispõe de elevador para os visitantes se deslocarem até o terceiro andar, e de um banheiro amplo (sem barras de apoio) para cadeirantes, no térreo. Mais nova, a Lapa 40° se destaca pela profusão de mesas de sinuca: cerca de 30, espalhadas por dois pisos – no 3º, fica a pista de dança, onde rola forró e gafieira. Também há rampas na entrada e elevador, e, em cada andar, banheiros com uma cabine adaptada. Rio Scenarium: R. do Lavradio, 20, Lapa. Telefone: (21) 3147-9005. www.rioscenarium.com.br Lapa 40°: R. do Riachuelo, 97, Lapa. Telefone: (21) 3970-1338. www.lapa40graus.com.br.
Shoppings Centers
Inaugurado em 1980, o Rio Sul foi dos primeiros shoppings a surgir na cidade. Tem 400 lojas, duas praças de alimentação, quatro salas de cinema – e só dois elevadores, com ascensorista. Faltam mapas de localização das lojas, mas funcionárias de agasalho azul fi cam a postos para dar informações. Há sanitários com cabine adaptada em todos os andares, e cinco níveis de estacionamento: o G2 tem cinco vagas para deficientes, e o
G3, 13. Contemporâneo, o Barra Shopping, de 1981, é referência na Barra da Tijuca. São mais de 550 lojas, distribuídas por dois pisos, compridos e com boa iluminação natural. Ambos têm sanitários privativos para pessoas com deficiência. No entorno da construção fi ca o estacionamento, descoberto, com cerca de 90 vagas para deficientes. Interligado ao
shopping, o New York City Center comporta lanchonetes, 18 cinemas multiplex, e uma réplica da Estátua da Liberdade – Nova York é aqui. Já o caçula Shopping Leblon abriu em 2006, com cerca de 200 lojas, um teatro (Casa Grande, 916 lugares), quatro salas de cinema e a praça de alimentação – que tem como atrativo uma bela vista da Lagoa Rodrigo de Freitas. O mapa de localização das lojas é falho, com letras muito pequenas.
São quatro pisos – todos com sanitários adaptados (privativos e coletivos) – e dois elevadores, com ascensorista. No estacionamento, o nível G0 é o piso preferencial
para pessoas com defi ciência: tem 13 vagas demarcadas e acesso direto ao quarto piso, o mesmo do cinema e da praça de alimentação. Os três shoppings dispõem de telefone público para surdos e cadeiras de rodas para empréstimo. Rio Sul: 2ª a sábado, 10h às 22h; domingo, 15h às 21h. R. Lauro Müller, 116, Botafogo. Telefone: (21) 3527-7200. www.riosul.com.br Barra Shopping: 2ª a sábado, 10h às 22h; domingo, 13h às 21h.
Av. das Américas, 4666, Barra da Tijuca. Telefone: (21) 4003-4131. www.barrashopping.com.br Shopping Leblon: 2ª a sábado, 10h às 22h; domingo, 15h às 21h. Av. Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Telefone: (21) 3138-8000. www.shoppingleblon.com.br
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Antiquarius Grill
O famoso restaurante português do Leblon deu cria e abriu esta filial grill no Barra Shopping. Aqui, as especialidades lusitanas que fizeram a fama do Antiquarius do Leblon dividem espaço com os cortes de carne, como picanha, prime rib e t-bone, servidos com batata assada. Para a sobremesa, aí sim, não resta dúvida: a pedida são os deliciosos doces portugueses. O serviço é eficiente, cordial, e o espaço, amplo, com pé-direito alto, paredes de tijolo e piso de madeira. As mesas não chegam a ser coladas umas nas outras, e uma espécie de corredor livre se forma no acesso aos banheiros (que têm uma cabine de porta mais larga, sem barras de apoio, mas com bom espaço de manobra). O restaurante usa o estacionamento do shopping – há várias vagas bem em frente, mas nenhuma que seja reservada para pessoas com deficiência. 2ª a sábado, 12h à 0h; domingo, 12h às 18h. Barra Shopping: Av. das Américas, 4.666, loja 160, Barra da Tijuca. Telefone: (21) 3410-9900.
Braz
A rede paulistana chegou ao Rio em 2007 para elevar de vez o padrão da pizza carioca. Entre as sugestões, a Toscana leva linguiça de javali e alecrim fresco, e a Basílica, pesto de rúcula e tomates-cereja. No salão comprido, apinhado de mesas, a frequência é bem disputada, e o burburinho, constante. A decoração segue o estilo das casas de São Paulo, com um importante adendo: na varanda dos fundos, um espelho reflete a imagem do Cristo Redentor. Também no fundo do salão, há um banheiro adaptado (próximo à escada que leva aos outros sanitários), com barras de apoio e bom espaço para manobrar a cadeira de rodas. 2ª a domingo, 18h30 à 0h30. R. Maria Angélica, 129, Jardim Botânico. Telefone: (21) 2535-0687.
CT Brasserie
CT são iniciais do francês Claude Troisgros, um dos chefs mais renomados do Brasil e dono do lugar. Apesar de estar num shopping, o clima não tem nada a ver com praça de alimentação: a ideia é fazer o freguês se sentir numa brasserie parisiense. Na entrada, há um tablado de madeira, com rampa, onde clientes se sentam sob um toldo. Dentro do salão, decorado com fotos em preto-e-branco e garrafas vazias de vinho, o espaço entre as mesas é reduzido. Já o cardápio, também enxuto, oferece receitas que fogem do que se esperaria de uma cozinha francesa – entre elas, ½ frango caipira, assado no forno à lenha, com galette de batata; e risoto de camarões e palmito pupunha, com azeite de trufas brancas. Dica: se for usar o banheiro, prefira o do shopping. No mesmo piso existe um sanitário coletivo (mal-sinalizado) com uma cabine adaptada – sem sinalização, mas com porta mais larga e barras de apoio. 2ª a domingo, 12h a 0h. São Conrado Fashion Mall: Estr. da Gávea, 899, 3º piso, São Conrado. Telefone: (21) 3322-1440.
La Fiorentina
Aberto em 1957, o bar e restaurante era um dos pontos de encontro preferidos de artistas, jornalistas e intelectuais – como atestam os autógrafos nas colunas do salão, e a estátua de bronze de Ary Barroso (um dos fiéis frequentadores do passado) logo na entrada. Duas pequenas rampas dão acesso ao salão, que continua fervilhando, sobretudo à noite, quando a casa se enche de gente que vem saborear as pizzas e massas, ou apenas tomar um chopinho curtindo a brisa do mar, bem ali em frente. No fundo, à direita, há um banheiro adaptado para pessoas com deficiência (meio escondido, sem sinalização): é um box privativo, com espaço de manobra, vaso em altura adequada, barras de apoio um pouco baixas, pia com vão de encaixe e espelho inclinado. 2ª a domingo, 12h às 2h. Av. Atlântica, 458-A, Leme. Telefone: (21) 2543-8395.
Margutta Cittá
Filial de um restaurante de Ipanema, fica no 2º piso de um prédio comercial do Centro (a duas quadras da Cinelândia), onde funciona a sede da Firjan, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Sobe-se de elevador, com ascensorista. Não é preciso se identificar na portaria, basta dizer que vai ao restaurante. Porém, uma ressalva: é proibida a entrada, no edifício, de homens vestindo short ou bermuda. O público engravatado aproveita o intervalo do almoço para saborear as receitas de influência mediterrânea, combinando massas e frutos do mar, como o farfalle com camarões e açafrão, ou o pargo no sal grosso, com endívias. Quanto aos banheiros, ficam no hall dos elevadores: os sanitários têm uma cabine adaptada, cada. Dentro, espaço enorme, vaso adaptado com barras de apoio, e pia, saboneteira e espelho rebaixados. 2ª a 6ª, de 11h às 16h. Av. Graça Aranha, 1, 2º andar, Centro. Telefone: (21) 2563-4091.
Mr. Lam
É um chinês chique: o ambiente sofisticado, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, foge à regra dos restaurantes da especialidade. No cardápio, o clássico pato laqueado leva em média uma hora de preparo. Se a fome exigir um prato de preparo mais urgente, uma alternativa é o camarão Mr. Lam (empanado, servido com molho de gengibre). A casa tem quatro degraus na entrada, mas há uma rampa metálica à disposição, instalável na hora. Dentro, são três pisos, apenas o térreo é acessível para cadeirantes (comporta 80 pessoas, com bom espaço entre as mesas). Os banheiros também ficam no térreo. Uma das cabines tem a porta mais larga, mas não há barras de apoio e a área de manobra é reduzida. 2ª a sábado, 19h à 0h30; domingo, 13h às 23h30.
R. Maria Angélica, 21, Lagoa. Telefone: (21) 2286-6661.
Gula Gula
O primeiro restaurante da marca Gula Gula foi inaugurado em 1984, no Leblon. Hoje, já são mais de dez endereços, todos seguindo a mesma receita: oferecer saladas caprichadas e grelhados com molho e acompanhamento à escolha, em um ambiente despojado. A filial de Ipanema fica em uma charmosa casa dos anos 1940, tombada pela prefeitura – a varanda, com acesso por rampa e toldo retrátil, é ideal para um almoço pós-praia. Nos fundos, passando por uma passarela de madeira, fica o banheiro para pessoas com deficiência: um box privativo, sinalizado, com porta larga, espaço de manobra, vaso mais alto, barras de apoio e fraldário; e, do lado de fora, pia com vão de encaixe para a cadeira e espelho rebaixado. 2ª a domingo, 12h a 0h. R. Henrique Dumont, 57, Ipanema. Telefone: (21) 2259-3084.
Market
Fica na principal rua de Ipanema, mas ainda assim é meio escondido. A entrada é por um longo corredor, de acesso plano. No fim estão as mesas, com cadeiras coloridas que conferem um ar despojado, bem no clima do bairro. Parte delas fica ao ar livre, e a outra parte, no salão. A casa serve café-da-manhã, pratos do dia no almoço, saladas, grelhados, sanduíches e, para refrescar, os smoothies – milk-shakes com frutas e sorvete de iogurte (prove o de amora com maracujá). Dos sanitários, apenas o feminino é adaptado, mas deficientes do sexo masculino podem usá-lo (vale, porém, alertar antes a garçonete): tem ótimo espaço para manobra e barras de apoio bem firmes. 2ª a 4ª, 9h às 18h; 5ª a sábado, 9h a 0h; domingo, 9h às 18h. R. Visconde de Pirajá, 499, Ipanema. Telefone: (21) 3283-1438.
Nao
A fusão das cozinhas japonesa e contemporânea deu fama ao chef Nao Hara em seu primeiro restaurante, o Shin Miura, no Centro. Neste novo endereço, no Shopping Fashion Mall (colado à CT Brasserie), ele repete a receita que o consagrou, e que batizou de “esqueminha”: um combinado de pequenas porções das delícias insólitas que saem de sua cabeça – como atum semigrelhado com macadâmias ao mel de gengibre e flan de gorgonzola, ou rolinho crocante de salmão recheado com foie gras e lichia. O cliente que tiver tempo (no duplo sentido) para gastar pode jantar na mesa do chef, feita de madeira rústica, mais baixa, onde é servido um especialíssimo menu-degustação (sob reserva, a R$ 220 por pessoa - em março de 2009), preparado por Nao com os ingredientes mais frescos do dia. 2ª a domingo, 12h a 0h. São Conrado Fashion Mall: Estr. da Gávea, 899, 3º piso, São Conrado. Telefone: (21) 3322-0149.
Porcão Rio’s
A grife de churrascarias Porcão tem endereços até em Miami e Nova York. Este daqui é um dos mais procurados, sobretudo pela bela vista do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara. Mas o que atrai pra valer a clientela é o variado rodízio de carnes, com cerca de 30 cortes distintos, que vão dos menos familiares ao paladar brasileiro, como avestruz e javali, até a picanha – campeoníssima na preferência popular. Para vegetarianos (e mesmo os não), há também um farto bufê de frios, sushis e saladas. Devido ao grande número de mesas – a casa comporta 500 pessoas – e ao vaivém intenso dos garçons, a circulação pode ser complicada. A entrada para cadeirantes é pelos fundos do restaurante, por uma rampa sem corrimão. Do lado oposto, próximo ao bufê e à entrada principal (por escada), fica o banheiro adaptado: um box privativo, com porta larga (sem sinalização), três barras de apoio, bom espaço interno e espelho de corpo inteiro. O restaurante tem serviço de manobrista.
2ª a sábado, 12h à 0h30; domingo, 12h às 23h. Av. Infante Dom Henrique, s/nº, Parque do Flamengo. Telefone: (21) 3389-8989
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Caesar Business
O estilo é de hotel executivo, com área de lazer reduzida e quartos confortáveis. A localização deixa-o relativamente per-to do Pão de Açúcar, da estação Botafogo do metrô e do acesso a Copacabana. Da pequena sacada do único apartamento
adaptado vê-se o Cristo, ao longe. O espaço interno é ótimo, e há facilidades como ar-condicionado com controle remoto. Mas peca em detalhes: o armário, por exemplo, fi ca num cantinho apertado e não tem porta de correr; no banheiro, as barras de apoio estão em alturas desniveladas. Há um elevador social, com painel em Braille, e cinco degraus de escada no acesso à piscina, sauna e sala de ginástica. No térreo, junto às salas de convenção, o lavabo para defi cientes fica um pouco escondido. O hotel tem estacionamento próprio, com manobrista. R. da Passagem, 39, Botafogo. Telefone: (21)
2131-1212. www.caesarbusiness.com
Caesar Park
A rede é a mesma do Caesar Business, mas o perfil, completamente diferente. Um clássico da hotelaria carioca, o Caesar Park é ideal para quem viaja a lazer, com tempo de sobra de curtir a praia de Ipanema, bem em frente (na volta, entra-se pelo acesso lateral da rua Maria Quitéria, com rampa e chuveiro). Os 2 apartamentos adaptados têm bom tamanho, piso de carpete, olho-mágico rebaixado e armário com cabide ajustável. No banheiro, o vaso é um pouco alto, e as barras de apoio, fora do padrão; o chuveiro tem
porta-sanfona de vidro. O restaurante Agraz, no lobby, traz menu assinado pelo chef Erick Jacquin. Funciona só no jantar. O café-da-manhã e o almoço são servidos no Gallani, no 23º andar – onde também está a piscina, pequena para o porte do hotel. Para a sala de ginástica, acesso apenas por escada. Apesar do bom padrão dos apartamentos, o hotel entrou em reforma em março de 2009, para “tornar a decoração mais light”. Certifique-se da disponibilidade de quartos. Av. Vieira Souto, 460, Ipanema. Telefone: (21)
2525-2525. www.caesar-park.com
Fasano
Com localização escolhida a dedo e projeto a cargo do badalado designer francês Philippe Starck, o hotel nasceu em 2007, esbanjando estilo e conforto. As 91 unidades
(2 para pessoas com deficiência) têm TV de LCD 32 polegadas, cama king-size, travesseiros de pluma de ganso, lençóis de algodão egípcio... O apartamento que visitamos foi o 101, deluxe frente mar. Apesar dos seus 40 metros quadrados de área, a
configuração cria empecilhos à circulação. Entre a parede e a cama, um criado-mudo obstrui a passagem, e o armário fi ca muito junto à escrivaninha. Em mármore, o banheiro tem porta de correr bem larga, boa área de manobra, barras de apoio, pia
rebaixada e chuveiro de alta pressão. No corredor, o revestimento de madeira nas
paredes torna mais difícil identificar os apartamentos, até porque os números não
fi cam na porta, mas numa faixa luminosa, na altura dos pés. Na cobertura, por outro
lado, o deque tem rampa e um parapeito de vidro, que permite a cadeirantes apreciar
o visual da praia enquanto tomam seu drinque no bar da piscina. Se der o azar de estar chovendo, no térreo ficam o bar Londra e o restaurante Fasano Al Mare, ótimas opções para um coquetel ou um jantar sofisticado. Av. Vieira Souto, 80, Ipanema. Telefone: (21) 3202-4000. www.fasano.com.br
Ibis Santos Dumont
A bandeira Ibis, da rede Accor, se caracteriza pelos apartamentos funcionais e pela estrutura enxuta de serviços – o café-da-manhã, por exemplo, é cobrado à parte, e não há área de lazer. Muito usado para viagens rápidas de trabalho (já que está perto do aeroporto), este também é 100% não-fumante, e manifesta cuidados com a acessibilidade.
O balcão da recepção tem uma parte rebaixada, acessível a cadeirantes, bem como o balcão do bufê, no restaurante, montado na sobreloja. Os três elevadores, novos, são sonorizados, com painel em Braille. Em cada andar há 1 apartamento adaptado – ou seja, 9, ao todo. Eles têm piso laminado de madeira (ao contrário dos corredores, com carpete)
e espaço correto de circulação. Entre os equipamentos, TV de LCD 21 polegadas e ar-condicionado com controle remoto. Junto à janela fi cam a escrivaninha e o microarmário, com cabide rebaixado. No banheiro, há porta de correr, vaso adaptado,
barras de apoio e espelho inclinado. Já o chuveiro tem cortina, banco basculante e barras de apoio. Av. Mal. Câmara, 280, Centro. Telefone: (21) 3506-4500. www.ibis.com.br
Sheraton Barra Hotel & Suítes
O complexo tem duas torres, porém apenas uma é usada na hotelaria (a outra é residencial). A praia da Barra fica bem em frente – basta cruzar a avenida –, mas quem preferir pode desfrutar da enorme piscina, com sua estrutura de bar. Parte da infra de lazer apresenta dificuldades de circulação: as saunas (masculina e feminina) têm porta muito estreita e o acesso à banheira de hidromassagem é atravancado por quatro degraus. Já o spa, inaugurado em anos recentes, oferece massagens terapêuticas em gazebos ligados por passarelas de madeira – com degraus. Os apartamentos adaptados são 4, com carpete, ótimo espaço de circulação, cofre e olho-mágico rebaixados, cafeteira, rádio-relógio, duas linhas telefônicas e varanda. No banheiro, a porta é larga e a altura do vaso sanitário, correta, mas há só uma barra de apoio junto ao vaso (o chuveiro tem cortina e barras). Se estiver aquele calorão, há no final de cada corredor uma máquina de gelo à disposição. E para pessoas cegas, uma dica: o hotel recebe cães-guias rotineiramente. Av. Lúcio Costa, 3150, Barra da Tijuca. Telefone: (21) 3139-8000. www.sheraton-barra.com.br
Marina Palace
É a chance de se hospedar na aveni da mais cara do Rio, onde dificilmente um apartamento custa menos de R$ 3 milhões. Os apartamentos têm TV tela plana (nas suítes, DVD) e CD-player. 3 deles são adaptados – 2 standards executivos e 1 suíte superluxo. O quarto que visitamos foi um standard (a suíte estava ocupada). O piso é carpete, e o armário tem porta de puxar, mas o cabide é alto. O ar-condicionado tem controle remoto; no banheiro, o chuveiro é ajustável. O restaurante Vizta está no 2º piso, mas para a piscina, sauna e sala de ginástica é preciso subir uma longa escada. Outro
tropeço é que o Bar da Praia, aberto ao público, tem acesso só pela rua lateral (João Lira), com alguns degraus de obstáculo. O irmão caçula Marina All-Suítes fica a uma quadra de distância, mas não dispõe de apartamentos adaptados para pessoas com deficiência.
Av. Delfi m Moreira, 630, Leblon. Telefone: (21) 2172-1000. www.hotelmarina.com.br
Mar Ipanema
Indicado para quem curte agito: o prédio, de esquina, fica na principal rua de Ipanema, sobre uma filial da cervejaria Devassa. O bar funciona quase 24 horas por dia e tem acesso direto do lobby, por uma porta larga. Nele, é servido o café da manhã dos hóspedes. Há 1 apartamento adaptado para pessoas com deficiência, não-fumante. Não há sinalização na porta, mas fica bem de frente para a saída do elevador, no andar P (de Plus, entre o 2º e o 3º andares). Com decoração em tons claros, tem piso frio e bom espaço de circulação. No armário, porta de correr e cabides rebaixados. O banheiro, amplo, tem vaso adaptado, espelho inclinado e barras de apoio – junto ao vaso e no boxe, com banco basculante. O hotel dispõe apenas de sete vagas num estacionamento que fica ao lado.
R. Visconde de Pirajá, 539, Ipanema. Telefone: (21) 3875-9191. www.maripanema.com.br
Novo Mundo
Inaugurado em 1950, passou por reforma a partir de 2005, revitalizando ambientes e deixando os quartos mais modernos. Há um pequeno desnível na entrada. Afora isso, os dois elevadores mais antigos estão bem conservados, têm painel sinalizado em Braille e sonorização. Nos corredores, com carpete, falta sinalização específica para os quartos
adaptados: 3, sendo 2 na categoria executiva e 1 na econômica. O apartamento que visitamos foi o 804 (executivo). Tem piso laminado de madeira e boa área de circulação, exceto pelo armário – as portas abrem para fora, junto à cama (de positivo, os puxadores dos cabides). Já o banheiro tem porta mais larga, de correr. No vaso sanitário, uma barra de apoio é curta, e a outra, frouxa, porém no chuveiro há uma barra mais firme, enviesada. No 3º andar, dos salões de convenção, a decoração é moderna, e a sinalização mais clara; o corredor é de piso frio e há um sanitário adaptado para deficientes. Da janela do restaurante Flamboyant vê-se o jardim do Museu da República, do outro lado da rua. Praia do Flamengo, 20, Flamengo. Telefone: (21) 2105-7000. www.hotelnovomundo-rio.com.br
Sofitel
Um dos mais luxuosos do Rio, fica no finzinho da praia de Copacabana, em frente ao forte que leva o nome do bairro, e a curta distância do Arpoador. Reformados em 2007, os apartamentos têm TV de plasma, DVD e internet wi-fi. Para os gourmets, o hotel tem como trunfo as criações do chef Roland Villard no menu do Le Pré Catelan, um dos melhores restaurantes franceses do Brasil. A circulação é facilitada por rampas na entrada e nos acessos à sala de café e às piscinas; no total, são nove elevadores (um deles, panorâmico, atende
só o térreo e o piso E, onde estão o restaurante e a salas de convenção) e 6 quartos adaptados – 1 por andar, do 3º ao 8.Voltados para a piscina de trás, que pega o sol da tarde, têm piso carpete, ótimo espaço de circulação, armário com porta de correr e cabide com puxador; o banheiro possui espelho inclinado e barras de apoio junto ao vaso e no chuveiro, com banco basculante. O hotel não tem estacionamento próprio: usa o do shopping anexo (Cassino Atlântico), com manobrista.
Av. Atlântica, 4240, Copacabana. Telefone: (21) 2525-1232. www.sofitel.com.br
Windsur Astúrias
Dos nove hotéis da rede Windsor na cidade, este é um dos mais novos. Fica a duas quadras da Cinelândia – perto, portanto, de edifícios históricos e de uma estação de metrô. A decoração impessoal e a estrutura compacta atendem bem o público executivo. Os dois elevadores têm painel em Braille e ótima sonorização, alta e clara. Na cobertura fi cam a piscina (acesso plano) e a sauna a vapor (porta estreita); para a salinha de ginástica, o acesso é apenas por escada. Os apartamentos adaptados são 2, com piso laminado de madeira e arcondicionado central (e controle fixo na parede). No banheiro, a porta é de correr, e o vaso, um pouco baixo. Quando o visitamos (janeiro de 2009), barras de apoio estariam ainda “prestes a ser instaladas”. De ponto positivo, os cardápios do serviço de quarto, disponíveis em Braille na recepção: basta pedir.
R. Senador Dantas, 14, Centro. Telefone: (21) 2195-1500. www.windsorhoteis.com.br
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DANÇA SOBRE RODAS
Gaúcho, Rogério Andreolli, de 46 anos, mora no Rio desde 1983. “Já carioquei há tempo”. Formado em teatro, acabou abraçando outra arte – aquela que, em tese, mais depende do movimento das pernas. “Soube que faziam um trabalho de dança para pessoas com deficiência. Fui atrás e comecei a dançar. E os convites foram surgindo de 10 em 10 minutos”. Em 2000, foi um dos fundadores da companhia de dança Pulsar. Rodou o País em apresentações, de São Paulo a Belém, de Brasília a Aracaju. Ele
também viaja a lazer, mas se queixa de alguns obstáculos. “Não existe carro adaptado para alugar no Brasil. Aluguei uma vez em Miami, sem o menor problema. Aqui, as
locadoras simplesmente não têm.” A falta de quartos adaptados nos hotéis é outro problema. “Ano passado, fui para Angra dos Reis. Na pousada, me deram o quarto maior, mas a cadeira não entrava no banheiro... No Brasil a gente tem sempre que improvisar”.
BATENDO UM BOLÃO
O carioca Anderson Dias, de 30 anos, é cego desde os três, mas aos seis anos já jogava futebol com os tios e irmãos, que embrulhavam a bola em um saco plástico, para que ele pudesse ouvi-la. O talento o levou à Seleção Brasileira de futebol de 5, pela qual foi medalha de ouro nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004, quando o Brasil bateu a Argentina nos pênaltis. “O esporte ajuda a dar independência. Uso bengala numa boa”,
diz, explicando que se vira bem sem cão-guia. Todo dia, Anderson vai de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, até o Centro, onde faz pós-graduação em fisioterapia e dirige a Urece, associação que promove atividades esportivas e culturais para cegos. No terreno do turismo, ele se queixa da falta de guias qualificados para conduzir deficientes visuais. “Que graça tem eu subir ao Pão de Açúcar se não tem ninguém narrando para mim? Eu não vejo nada. Para mim, é como subir num andaime”.
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